Warschauer Strasse

Jan. 20, 2010 3 Comments Posted under: Andanças, Artigos

Enfim, Berlim.

Demorei duas semanas para digerir a viagem. Não consegui ficar twittando por aí cuspindo momentos. Só compreendo o desejo no depois.

Berlin

Viagem a Berlim, para 26th Chaos Communication Congress, encontro de Hackers no Centro de Convenções de Berlim (BCC), em dezembro de 2009.

95 Photos

Cheguei em pleno Natal. Tudo fechado. A apresentação seria em três dias e até lá não havia muito o que fazer. Um frio de lascar.

Fui na onda de um amigo e acabei indo pro Pub Crowl, tour para gringos pelos pubs da cidade. O encontro rola num bar no Mitte, um dos bairros mais maneiros, na antiga Berlim Oriental. Lá encontrei prédios abandonados ocupados por artistas. Um terreno baldio atrás de um deles reunia as esculturas e pinturas mais loucas, num ambiente totalmente underground. Passeando pelas galerias encontrei um símbolo do Linux: “we can help”. Ops! Eu estava desesperada com o meu laptop. Encasquetei em ter o linux e ser coerente com a minha pesquisa. Um dia antes da viagem comprei um daqueles notebooks super fofos e baratos. O troço me pregou mil peças e finalmente eu encontrei alguem que poderia me ajudar. Um artista metido com software livre! Amei. Bati altos papos com a figura. Ele ficou curioso com o tema da minha apresentação no congresso e assim comecei a ensaiar o texto. O alemão me soprou uma dica, a primeira solução dos meus probleminhas técnicos.

No Pub Crowl esbarrei em gente de todos os lugares, a maioria na faixa de uns vinte e poucos, no momento mochilão. Eu há 10 anos atrás. Conversei com um grupo de estonianos, um deles estudante de filosofia, pesquisador de cultura árabe. O cara foi morar no Yemen. Logo interagi com um casal de israelenses, ele de origem iraquiana (!) e ela de origem polonesa. Depois de 4 bares e algumas cervejas quentes me vi dançando uma música horrorosa com a israelense.

O dia dura pouco. Amanhece tarde e escurece super cedo. Eram praticamente 8h de sol, pouca luz. Acabei fazendo o Walking Tour justamente no dia que começou a nevar. Foi punk. O tour é até bem legal, uma galera jovem – parece que boa parte são espanhois – organiza um passeio pelos pontos históricos da cidade, explicando, contando curiosidades. Dura tipo 2h e meia. É simpático e de graça. Vale uma gorjetinha no final. O lance é não ir no restaurante que eles levam pro almoço. Furada.

O congresso foi muito inusitado. Realmente um encontro curioso. Eu não tinha me dado conta da dimensão da coisa. Mandei o resumo de artigo numa de ver qual era e acabei aterrizando no Centro de Convenções de Berlim, num congresso de 2.500 hackers. Um ambiente totalmente masculino. Comecei a ficar tensa com a apresentação. Combinei com o Cris, meu parceiro neste artigo, de ensaiar em inglês naquela noite no hostel. Acabou rolando um ensaio aberto em plena Smoking Area. Nossa plateia era formada por um israelense que viveu anos na Colômbia com a família e um casal da Romênia. Ele artista plástico e ela novinha, uns 19 anos. Eles cairam na pilha e fizeram comentários, elaboraram perguntas, foi ótimo! Farei um post só com o artigo, a apresentação e partes do vídeo da palestra.

Uma das surpresas da viagem foi o Museu DDR, sobre o estilo de vida na Alemanha Oriental. Em termos museológicos, o museu é super autêntico porque recria ambientes domésticos da época, com sala de estar, cozinha… os objetos expostos podem ser tocados, coisa rara num museu. Boa parte fica dentro de compartimentos numa espécie de muro, uma alusão ao Muro de Berlim. Podemos escutar músicas da época, ver roupas penduradas em armários… Super bem bolado.

Também o Museu da Tecnologia é um espetáculo.  Apresenta a evolução tecnológica em diferentes setores de nossas vidas. É impressionante a forma de expor o conteúdo, tudo muito bem arrojado e interativo. Vemos navios engarrafados, réplicas de aviões, maquinário téxtil, rádios, TVs…a história dos transportes, da indústria textil, da mídia, da ciência.. um barato.

Saí com um amigo alemão para jantar, fomos a um bar de “nativos”. Os alemães são esquisitos! As garçonetes, extramentente raivosas, até parece que vc faz um favor pra elas em consumir. Os cachorros têm status de gente, viajam de metrô e frequentam restaurantes chiques. Irritantemente comportados,  se posicionam nos pés das mesas. O alemão descascou a arte contemporânea brasileira. Ele sabia tudo de Hélio Oiticica. Disse que não há nada inovador nas artes atualmente no Brasil. Tivemos uma ótima discussão.

A noite da virada foi muito muito boa! Junto à uma brasileira de Blumenau e seu amigo malasiano (os dois estudando engenharia química na Alemanhã) fomos ao Brandemburg Tor ver os fogos, que não são lá estas coisas… Copacabana dá de mil! Mas é uma experiência curtir a virada no hemisfério norte, o frio muda completamente o astral. Depois ficamos perambulando pelo lado oriental de Berlim, em direção a um clube sensacional.  Ficava num lugar estranho, um terreno cheio de armazéns abandonados. Cheguei e pirei com a música. Fiquei dançando sem parar. Quando olhei o relógico, me dei conta que dancei umas 5h no stop! Foi uma viagem divertida. Berlim é realmente muito interessante, para voltar com certeza.

No dia seguinte, o primeiro de 2010, fomos para Lisboa… papo para outro post.

This entry was posted on Wednesday, January 20th, 2010 at 8:37 am and is filed under Andanças, Artigos. You can leave a comment and follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed.

3 Comments Leave a comment

  1. dsuch said:

    Aug. 6, 2010

    Sie sprechen sachlich

  2. Emilia said:

    Jan. 21, 2010

    Helena; bela descrição do propósito desta viagem e bastante interessante o quadro de fotos; aproveito para repetir a frase no final do relato: Feliz Ano de 2010 e aguardo tb fotos da estada em Lisboa;Eh um prazer visitar este site;

  3. Fernando said:

    Jan. 21, 2010

    Ai, Berlin, Berlin….. Helena, vc me fez rever essa cidade que adoro!
    Bjs, Fernando

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